quarta-feira, 25 de março de 2015

Pesquisa da USP aponta: Ritalina não melhora cognição

A doutoranda em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano, Camila Tarif Ferreira Folquitto, defendeu em 2009, no Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), uma dissertação de mestrado sobre suas pesquisas a respeito da afetividade e cognição, fazendo um recorte em dois grupos de alunos diagnosticados com TDAH. Um que utilizava o medicamento e outro que não usava. Descobriu  que o uso do Metilfenitado/Ritalina não ajuda no processo de cognição, responsável pela aprendizagem.

De acordo com as pesquisas dela, do ponto de vista cognitivo, existem diferenças importantes no desenvolvimento de crianças com TDAH quando comparadas com crianças sem qualquer diagnóstico e que a teoria de Piaget acerca do desenvolvimento psicológico, do processo de transição do estágio pré-operatório para o estágio operatório concreto de desenvolvimento, é um subsídio teórico importante para a compreensão deste transtorno, em especial a construção operatória da noção de tempo.

A hipótese geral trabalhada pela pesquisadora foi a de que crianças com TDAH apresentariam déficits no desenvolvimento de noções operatórias, como a conservação, reversibilidade e apreensão temporal. De acordo com ela, foram entrevistadas 62 crianças, com idades entre 6 a 12 anos, subdividas em dois grupos: uma amostra clínica de crianças diagnosticadas com TDAH e uma amostra de crianças sem diagnóstico. A amostra clínica foi também dividida entre crianças que faziam uso do Metilfenidato/Ritalina e de crianças não medicadas. O intuito da pesquisa foi observar se a medicação exerceria alguma influência no desempenho das crianças em provas piagetianas.

Os resultados da pesquisa demonstraram haver diferença estatisticamente significativa entre o desempenho das crianças dos diferentes grupos. Crianças com TDAH apresentaram uma tendência a terem suas respostas classificadas em níveis inferiores ao esperado, quando comparadas ao grupo de controle, que é  aquele composto por crianças sem o diagnóstico.

Porém, em relação ao grupo de alunos que utilizou o Metilfenidato/Ritalina, a pesquisadora descobriu não haver diferença significativa entre os grupos, ou seja, o remédio não ajuda no processo de cognição. Apesar  da pesquisadora citar ser importante no tratamento, na realidade o Metilfenidato/Ritalina não demonstrou ser suficiente para potencializar o desenvolvimento cognitivo de crianças com TDAH, superando os déficits observados. De acordo com ela, esses achados corroboram a hipótese de déficit na aquisição das noções operatórias em crianças com TDAH e concluiu ser necessária novas reflexões a respeito do TDAH, considerando alternativas de intervenções que considerem os déficits observados, ultrapassando o tratamento medicamentoso.

Quer conhecer melhor os estudos da pesquisadora? Clique aqui e leia a dissertação, que está disponível online.

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