terça-feira, 5 de novembro de 2013

A droga da obediência



O Brasil é o segundo maior consumidor mundial dos psicotrópicos chamados metilfenidatos, prescritos para o tratamento de crianças diagnosticadas como portadoras do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Atrás apenas dos Estados Unidos, consumimos, em 2009, 2 milhões de caixas, ante as 70 mil consumidas em 2000. A droga, usada para tratar do que é considerado um distúrbio neurobiológico, é consumida, entre outros, por crianças e adolescentes desatentos, agitados e com dificuldades escolares. Apelidado de a “droga da obediência”, por acalmar e focar a atenção, o medicamento leva os sugestivos nomes de Concerta e Ritalina (produzidos pelos laboratórios Janssen Cilag e Novartis, respectivamente). Seu uso, no entanto, provoca acaloradas discussões. A pediatra Maria Aparecida Affonso Moysés, da Unicamp, é uma das vozes médicas a questionar a existência de “uma doença neurológica que só altere comportamento e aprendizagem”. Nessa entrevista, ela explica as reações adversas da droga e afirma que os critérios para diagnosticar o TDAH são normas sociais.
Carta Fundamental: O consumo de metilfenidatos no Brasil foi de 70 mil, em 2000, para 2 milhões de caixas, em 2009. A que a senhora atribui esse aumento? 
Maria Aparecida Affonso Moysés: Outro dado é que o Brasil só perde para os Estados Unidos no consumo dessa droga, o que é assustador, porque este não é um medicamento seguro. O metilfenidato tem várias reações adversas. E veja só: não são efeitos colaterais, são reações adversas e indicam a retirada imediata da droga.

CF: Que tipo de reação? 
MAAM: No sistema nervoso causa insônia, cefaleia, alucinações, psicose, suicídio e o principal efeito chamado de Zumbi Like. Significa agir como um zumbi, ou seja, a pessoa fica quimicamente contida em si mesma. Todos esses são sinais de toxicidade e indicam a retirada imediata da droga. No sistema cardiovascular o remédio causa arritmia, taquicardia, hipertensão, parada cardíaca. O risco de morte súbita inexplicada em adolescente é estimado em 10 a 14 vezes maior entre aqueles que tomam o remédio, segundo uma pesquisa de 2009 da Food and Drugs Administration (FDA) e de National Institute of Mental Health (NIMH). Não é desprezível. Além disso, interfere no sistema endócrino, na secreção dos hormônios de crescimento e dos sexuais. É uma substância com o mesmo mecanismo de ação e as mesmas reações adversas da cocaína e das anfetaminas.

CF: O metilfenidato é um estimulante usado para acalmar? 
MAAM: Ele acalma pelo efeito zumbi, uma toxicidade. Uma coisa que não se pensa muito é o seguinte: o metilfenidato foca a atenção em quê? É aleatório. Ao conter as atividades cerebrais de tal modo que você não se distraia, esta única coisa em foco é eleita ao acaso. É o que passa pela frente. Não é uma substância que te faz focar no estudo. Não existe isso.

CF: O Brasil perde apenas para os EUA no consumo de metilfenidatos. O que aproxima as sociedades médicas desses países? 
MAAM: A sociedade médica brasileira, há 50 anos, era voltada para a França. Hoje é voltada para os EUA. É quase mundial isso, mas na Europa ainda há uma resistência. Somos muito dependentes da tecnologia e da cultura americana, que impõe essa padronização e normalização das pessoas. A gente constrói uma sociedade que quer uma criança cada vez mais ativa e ligada no mundo. Crianças com 4 anos mexem no computador com várias janelas abertas ao mesmo tempo. Quando elas chegam na escola, queremos que elas façam uma coisa só e não questionem. Queremos crianças criativas, ótimas e submissas! Elas questionam, querem saber o porquê. O “não” não basta mais. E os adultos não aguentam isso. A sociedade é muito incomodada com os questionamentos e a gente acaba abafando isso via substância química. Junte isso ao interesse financeiro das indústrias farmacêuticas. Elas financiam cursos, viagens para médicos, vantagens em clínicas. Curso para professores financiado por um laboratório é algo estranho. Não sejamos ingênuos: eles estão, na verdade, treinando professores para identificar futuros clientes consumidores de suas drogas. E esse é um peso muito forte, que consta, inclusive, em relatório do departamento de justiça dos EUA, mostrando como a Ciba-Geigy (Laboratório que viria, a partir de 1996, a formar a Novartis) – financiava entidades de familiares e profissionais ligados à defesa das pessoas com TDAH.

CF: Quais os efeitos desses psicotrópicos quando tomados por longo período? 
MAAM: Isso consta em qualquer livro de farmacologia. Vários trabalhos mostram que existe um risco de dependência química muito grande, além de uma dependência psíquica, porque a pessoa se sente mais ativa mesmo. E tem várias pesquisas mostrando que, quando a criança começa a tomar aos 4 anos e retiram o remédio aos 18, existe uma tendência muito grande de drogadição por substância mais pesadas. Se a criança está usando um estimulante desde os 5, 6 anos, ela vai buscar outra droga quando interrompe este uso. No mundo todo, clínicas relatam que metade dos adolescentes conta que começaram a drogadição e a mantém com ritalina. E a fala desses adolescentes é que eles começaram a usar porque é barato, acessível, fácil de comprar, embora tenha receita controlada. Segundo eles, os médicos diziam que era seguro. Como dizem até hoje. Mas não é uma droga segura.

CF: A discordância não é só quanto ao uso ou não da medicação, mas quanto à existência do próprio transtorno. 
MAAM: A discordância básica é que não existe uma comprovação aceita de que haja uma doença neurológica que só altere comportamento e aprendizagem. Isso ainda não foi provado. A lógica da medicina é comprovar a doença e depois tratar. Para essa, o remédio foi encontrado antes.

CF: A comprovação seria se encaixar nos critérios do questionário Snap-IV. 
MAAM: Aqueles critérios são altamente questionáveis. Aquilo não é critério de doença, é norma social. Como posso transformar uma norma social em biológica? O Snap-IV contém 18 perguntas, e as primeiras nove falam de atenção, e as outras, de hiperatividade. Se você preencher seis das perguntas, tem o diagnóstico de déficit de atenção, hiperatividade ou dos dois. Todas as questões falam de comportamento. Só com base nisso afirmam a presença de uma doença neurológica?

CF: A partir de que idade uma criança pode ser diagnosticada? 
MAAM: Há relatos na medicina americana de crianças de 2 anos que teriam dislexia quando entrassem na escola. Como identificar que alguém vai ter dificuldades de ler e escrever aos 2 anos?

CF: Quem defende o uso da medicação argumenta que apenas seu uso incorreto não é seguro e que a criança que não é diagnosticada sofre. 
MAAM: Sofre por causa da sociedade. Eu quero trabalhar o conflito que ela está vivendo e libertá-la desse conflito e de uma doença que ela não tem. É preciso entender isso até para poder superar e enfrentar. Agora, quando digo você é doente vou te dar um remédio, os pais ficam aliviados porque, enfim, encontram o problema e podem tratar o filho. Esse é o sonho de todo pai. Mas eles estão iludidos porque essa criança, na verdade, não está sendo tratada. Ela está introjetando ser doente, ter algum problema e tudo o que ela conseguir na vida vai ser porque foi tratada. É totalmente desconsiderada em que situação isso é produzido. Porque os problemas de aprendizagem são todos produzidos.

CF: O rendimento na escola das crianças medicadas melhora. 
MAAM: É preciso provar que foi a droga porque se inicia um trabalho pedagógico com a criança, afirma-se que ela está doente, que está sendo tratada, a professora vai ensinar de um modo diferente, ela vai acreditar que pode aprender. A revisão dos trabalhos publicados que preenchem todos os requisitos de pesquisa científica mostra que não há melhora consistente do desempenho acadêmico. Esta é, inclusive, a conclusão de uma reunião feita nos EUA para estabelecer consensos para o diagnóstico e tratamento.

por Lívia Perozim — publicado 20/02/2011 16:00, última modificação 21/02/2011 18:31

quarta-feira, 29 de maio de 2013

"Desordem de identidade de gênero" foi removida da lista de doenças mentais.. Boa notícia em meio a deriva psiquiátrica

Crianças transgêneros desafiam leis e políticas escolares nos EUA


Desde a pré-escola, escolas tentam se adaptar para incluir todos os alunos.
Em 2012, mudar de identidade de gênero deixou de ser 'doença' no país.




Para incluir e tratar igualmente todos os alunos e alunas, inclusive os que se identificam com gêneros diferentes aos seus biológicos, escolas dos Estados Unidos estão aprendendo empiricamente a se adaptar a uma realidade longe do branco e preto que definem que roupas, brinquedos e atitudes são de meninos ou de meninas. O assunto foi tema de longa reportagem da agência de notícias Associated Press. O G1 publica abaixo um resumo com os principais trechos da reportagem da AP:
A presença de crianças e adolescentes que adotam outra identidade de gênero é pequena nas escolas, mas tem crescido. No distrito escolar da cidade de São Francisco, por exemplo, o gerente de programas de saúde escolar Kevin Gogin afirmou à reportagem que, de acordo com uma pesquisa com os estudantes, 1,6% dos alunos de ensino médio e 1% dos alunos dos anos finais do ensino fundamental se identificavam como transgênero ou variante de gênero.
As crianças dos anos iniciais não foram incluídas na pesquisa, mas Gogin disse à AP que o distrito já havia identificado alunos e alunas nesta situação nestes anos.
Com Ryan, que hoje cursa o quarto ano do fundamental em um subúrbio da cidade americana de Chicago, a adoção de outro gênero aconteceu ainda mais cedo. Desde os dois anos de idade, ela mostrava atração pela cor rosa e usava as calças do pijama para improsivar uma peruca de cabelos compridos. Na época, ela foi diagnosticada com desordem de identidade de gênero, e os pais começaram a incentivar atividades e objetos típicos de meninos. Quando a estratégia não deu certo, passaram a proibir qualquer menção ou brincadeira tipicamente feminina. Ao perceberem que o efeito da repressão não seria benéfico, decidiram aceitar as escolhas da filha.
Desde 2012, a "desordem de identidade de gênero" foi removida da lista de doenças de saúde mental, e outros pais de crianças que não se encaixam no padrão polarizado de meninos e meninas recebem o apoio de médicos e especialistas que não enxergam mais esse fenômeno como algo a ser consertado.
Para alguns deles, a evolução da percepção sobre pessoas transgênero (em suas várias formas, desde que quem se identifica com o gênero oposto até quem se considera parte homem e parte mulher) vai evoluir da mesma forma como a visão a respeito da homossexualidade, que há cerca de 40 anos deixou de ser considerada uma doença mental.
Contra o bullying na escola e na família
Ainda no jardim de infância, ela decidiu, com o apoio dos pais, abandonar a rotina de vestir roupas de menino na escola e trocá-las, assim que chegava em casa, por saias e uma blusa combinando. No primeiro dia da mudança, a mãe dela, Sabrina, foi à sala de aula explicar aos coleguinhas que Ryan gostava de se vestir como menina e fazer coisas de menina.

Algumas crianças contaram suas próprias histórias que quando vestiram roupas indicadas a outros gêneros por motivos variados, e o grupo superou a notícia. As crianças do ensino fundamental, porém, começaram a perseguir Ryan na hora do recreio. Para evitar aborrecimentos, a diretoria da escola garantiu a aplicação da política de intolerância ao bullying.
O processo, porém, não foi totalmente fácil, segundo contou a mãe da criança, Sabrina, à reportagem da AP. Antes da escola, Ryan começou a vestir roupas convencionalmente atribuídas a meninas em parques, no bairro e com a família.
Algumas pessoas não aceitaram a mudança, criticaram o apoio dos pais por acharem Ryan nova demais para saber o que queria, ou simplesmente pararam de reconhecer a criança. "Era como se ela não existisse mais", disse a mãe. A posição dela e do pai foi, além de mudar de bairro e buscar uma escola que parecesse mais aberta, enfrentar o problema de frente e com uma posição clara: eles reuniram os parentes e lhes informaram que estariam do lado da criança.
"Nosso compromisso é que nossos filhos estejam em um ambiente acolhedor e amoroso, e se alguém não concorda com isso, então não vai estar por perto", explicou o pai de Ryan, Chris.
A tolerância na prática
"Por uma margem grande, a maioria dos educadores quer fazer a coisa certa e quer saber como tratar todas as suas crianças igualmente", afirmou à reportagem da AP Michael Silverman, diretor-executivo do Fundo de Defesa Legal e Educação Transgênero da cidade de Nova York. Segundo ele, atualmente 16 estados americanos e o Distrito de Columbia (capital dos EUA) já contam com leis que garantem os direitos de pessoas transgêneros. Mas, mesmo nos estados que não contam com essa legislação, os distritos escolares estão geralmente abertos à orientação para a diversidade.
O problema, porém, é que as práticas de aceitação e tolerância à diversidade ainda não são muito difundidas. Entre as perguntas mais comuns estão a definição de qual banheiro a criança vai usar, onde ela vai se trocar para a aula de educação física e que pronome os professores e colegas devem usar para chamar a criança transgênero.
Dados recentes mostram que a falta de informação e socialização entre os estudantes transgêneros podem ter resultados alarmantes.
Um pesquisa nacional feita em 2010, feita em conjunto entre o Centro Nacional pela Igualdade Transgênero e pela Força Tarefa Gay e Lésbica Nacional, mostrou que 41% das pessoas transgêneros entrevistadas no país admitiram que já tentaram cometer suicídio. Mais da metade (51%) delas afirmou que sofreu bullying, assédio, agressão ou expulsão da escola por serem transgêneros.
Scott Morrison, que mora no estado de Oregon há três anos, e há dois fez a transição de menina para menino, afirma que o apoio da família, dos amigos e de sua nova escola, inclusive da ajuda de um conselheiro escolas, fez toda a diferença no processo, inclusive evitando que ele considerasse tirar a própria vida.
"A identidade de gênero é provavelmente a parte mais importante de mim, é a descoberta mais importante que fiz sobre mim mesmo", disse o formando do ensino médio à AP.
Para Eli Erlick, uma aluna transgênero que vai terminar o ensino médio neste ano em Willits, uma pequena cidade no norte da Califórnia, a transição de menino para menina começou aos 8 anos. Na época, há cerca de dez anos, a sensação que ela descreveu à agência era de ser "a única pessoa desse jeito". Além de ser ridicularizada em público pelos próprios professores, a aluna não tinha permissão para usar o banheiro das meninas. Para contornar o problema, ela fingia alguma doença para poder ser liberada e usar o banheiro de casa.
Em geral, porém, ela afirma ter notado uma mudança geral nas atitudes em relação às diferenças entre identidades de gênero. Hoje, Eli coordena uma organização que treina e orienta escolas a lidar com pessoas como ela, além de ter ajudado seu próprio distrito escolar, além de outros na Califórnia, a definir políticas sobre o tema.
A inclusão escolar na Justiça
Ainda que haja mais conscientização, nem todas as relações entre alunos transgêneros e suas escolas são pacíficas, e algumas já foram parar na Justiça. Michael Silverman, de Nova York, representa a família de Coy Mathis, uma garota transgênero de seis anos do estado de Colorado.
O motivo do processo foi o fato de a escola ter definido que a criança seria obrigada a usar um banheiro separado das demais meninas.
"Se fosse só um banheiro, então a opção neutra estaria bem. Mas é sobre realmente ser aceita", disse a mãe de Coy, Kathryn Mathis. "O que acontece agora é que eles te chamam de garota, mas você não é realmente uma garota, então não te deixam agir como uma. E isso faz um estrago incrível."
A reportagem da Associated Press procurou a escola de Coy, mas ela não se pronunciou.
Os precedentes abertos nos últimos anos e a evolução da posição de especialistas sobre a condição de pessoas transgêneros têm feito com que as crianças e adolescentes que se identificam com um gênero diferente do biológico possam viver mais abertamente e com maior apoio.
"Essas crianças estão começando a ter uma voz, e acho que isso é o que tem feito as coisas interessantes e desafiadoras --e difíceis, às vezes--, dependendo da família, da criança ou da escola", afirmou à AP Roberto Garofalo, diretor do Centro de Gênero, Sexualidade e Prevenção de HIV do Hospital Infantil Lurie, de Chicago.
No caso de Ryan, sua integração escolar tem tido, até agora, poucas consequências negativas. Uma de suas colegas do quarto ano do fundamental resumiu tudo com uma frase: "A maioria das pessoas esqueceu que um dia ela já foi um menino", disse a garota.
Do G1, em São Paulo

29/05/2013 07h00 - Atualizado em 29/05/2013 15h39









sexta-feira, 24 de maio de 2013

O TDAH existe? Uma reflexão sobre Humberto Maturana


Em julho de 2012, assisti a uma palestra do ilustre biólogo, filósofo e pensador construtivista chileno, Humberto Maturana, numa conferência em que nós dois éramos palestrantes. Maturana é mais conhecido por sua teoria da autopoiese. Simplificando, a autopoiese (que significa, literalmente, auto-criação) é a visão de que o mundo em que vivemos é um mundo que nós mesmos criamos.

De acordo com Maturana, toda a realidade, incluindo o fato de que as teorias científicas pretendem elucidar, é em última análise, auto-referencial e, portanto, deve levar em conta os cientistas que estão executando a elucidação. Todas as construções teóricas contêm implicitamente uma referência para a pessoa que está fazendo a teorização. E, de acordo com Maturana, é mais honesto estar ciente da auto-reflexividade de nossas teorias do que não estar. Ele é, em certo sentido, a encarnação moderna do antigo sofista Protágoras, que disse a famosa frase: “O homem é a medida de todas as coisas.”
É claro que muitas pessoas acusaram Maturana de solipsismo [a teoria que considera que o eu não pode conhecer nada além de suas próprias modificações e que o ego é a única coisa existente], mas acho que essa crítica não entendeu o ponto principal. A importância do que Maturana está tentando transmitir pode ser melhor compreendida se entendermos sua filosofia como uma contramedida ao dogmatismo. A visão de Maturana é humilde – assim como ele mesmo se mostra mais humilde do que seria de se esperar, considerando sua fama e importância como biólogo e filósofo. Suas idéias nos levam a questionar afirmações sobre a realidade que não levam em conta a agenda ou os motivos das pessoas que estão fazendo a afirmação.
Como terapeuta, eu achei ponto de vista radical de Maturana muito de acordo com a maneira como vejo o meu trabalho. Quando a criança ou o jovem entra no meu consultório, muitas vezes ele tem uma ou mais etiquetas de diagnóstico. Um pai vai me dizer, “o professor do meu filho acha que ele tem TDAH ou TOC” ou “o pediatra da minha filha diz que ela tem TDAH.”
Quando você pensa sobre isso, o TDAH é uma construção humana, em particular, a construção de um painel de psiquiatras, que é o autor de um manual de diagnóstico chamado o DSM4. E muitos destes palestrantes, 56% deles para ser exata, aceitaram dinheiro de empresas farmacêuticas, durante o tempo em que estavam criando os diagnósticos no manual. Aqui está um exemplo importante de como a natureza reflexiva das construções teóricas devem ser levadas em conta para serem compreendidas.
Portanto, a resposta à pergunta: “Será que o TDAH existe?” realmente depende da agenda do observador. Pessoalmente, acho que é mais útil descobrir as causas sociais subjacentes da inquietação ou distração da criança e fazer alterações específicas no ambiente social para remover os estressores. A criança ouve seus pais brigando ou discutindo o tempo todo? A criança está sendo abusada? A criança tem um professor que não é capaz de lhe dar a atenção extra que ela precisa, porque tem que lidar com uma sala de aula superlotada?
Eu não preciso construir um diagnóstico de TDAH para ajudar uma criança. Na verdade, a construção de um diagnóstico de TDAH não é útil a todos, porque a única maneira de tratá-la é por medicamentos estimulantes, que podem, a longo prazo, ser prejudiciais para o desenvolvimento do cérebro da criança ou a predispor a se tornar um viciado em drogas quando se tornar um jovem adulto. Além disso, a construção do diagnóstico tende a obscurecer a causa da angústia da criança. O diagnóstico não me ajuda a descobrir o que eu preciso fazer para ajudar as crianças a superarem seus problemas. A construção de um diagnóstico, no entanto, é muito útil para as empresas farmacêuticas, que só se interessam pelas drogas, e também para os autores do DSM, que dependem de empresas farmacêuticas para financiarem suas pesquisas e lhes proporcionar férias caprichadas.
Partindo disso, podemos ver o poder da teoria construtivista de Maturana como um antídoto para afirmações dogmáticas sobre a realidade – em particular, do complexo psico-farmacêutico. Usando o ponto de vista construtivista de Maturana, o TDAH não existe como uma realidade objetiva, e cabe ao terapeuta individual, escolher construir o problema de um filho como TDAH ou não.
~ Marilyn Wedge

Por que as crianças francesas não têm Déficit de Atenção?


Como é que a epidemia do Déficit de Atenção, que tornou-se firmemente estabelecida em vários países do mundo, foi quase completamente desconsiderada com relação a crianças na França?



Nos Estados Unidos, pelo menos 9% das crianças em idade escolar foram diagnosticadas com TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade), e estão sendo tratadas com medicamentos. Na França, a percentagem de crianças diagnosticadas e medicadas para o TDAH é inferior a 0,5%. Como é que a epidemia de TDAH, que tornou-se firmemente estabelecida nos Estados Unidos, foi quase completamente desconsiderada com relação a crianças na França?

TDAH é um transtorno biológico-neurológico? Surpreendentemente, a resposta a esta pergunta depende do fato de você morar na França ou nos Estados Unidos. Nos Estados Unidos, os psiquiatras pediátricos consideram o TDAH como um distúrbio biológico, com causas biológicas. O tratamento de escolha também é biológico – medicamentos estimulantes psíquicos, tais como Ritalina e Adderall.
Os psiquiatras infantis franceses, por outro lado, vêem o TDAH como uma condição médica que tem causas psico-sociais e situacionais. Em vez de tratar os problemas de concentração e de comportamento com drogas, os médicos franceses preferem avaliar o problema subjacente que está causando o sofrimento da criança; não o cérebro da criança, mas o contexto social da criança. Eles, então, optam por tratar o problema do contexto social subjacente com psicoterapia ou aconselhamento familiar. Esta é uma maneira muito diferente de ver as coisas, comparada à tendência americana de atribuir todos os sintomas de uma disfunção biológica a um desequilíbrio químico no cérebro da criança.
  • Os psiquiatras infantis franceses não usam o mesmo sistema de classificação de problemas emocionais infantis utilizado pelos psiquiatras americanos. Eles não usam o Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders ou DSM. De acordo com o sociólogo Manuel Vallee, a Federação Francesa de Psiquiatria desenvolveu um sistema de classificação alternativa, como uma resistência à influência do DSM-3. Esta alternativa foi a CFTMEA (Classification Française des Troubles Mentaux de L’Enfant et de L’Adolescent), lançado pela primeira vez em 1983, e atualizado em 1988 e 2000. O foco do CFTMEA está em identificar e tratar as causas psicossociais subjacentes aos sintomas das crianças, e não em encontrar os melhores bandaids farmacológicos para mascarar os sintomas.

Na medida em que os médicos franceses são bem sucedidos em encontrar e reparar o que estava errado no contexto social da criança, menos crianças se enquadram no diagnóstico de TDAH. Além disso, a definição de TDAH não é tão ampla quanto no sistema americano, que na minha opinião, tende a “patologizar” muito do que seria um comportamento normal da infância. O DSM não considera causas subjacentes. Dessa forma, leva os médicos a diagnosticarem como TDAH um número muito maior de crianças sintomáticas, e também os incentiva a tratar as crianças com produtos farmacêuticos.
A abordagem psico-social holística francesa também permite considerar causas nutricionais para sintomas do TDAH, especificamente o fato de o comportamento de algumas crianças se agravar após a ingestão de alimentos com corantes, certos conservantes, e / ou alérgenos. Os médicos que trabalham com crianças com problemas, para não mencionar os pais de muitas crianças com TDAH, estão bem conscientes de que as intervenções dietéticas às vezes podem ajudar. Nos Estados Unidos, o foco estrito no tratamento farmacológico do TDAH, no entanto, incentiva os médicos a ignorarem a influência dos fatores dietéticos sobre o comportamento das crianças.
E depois, claro, há muitas diferentes filosofias de educação infantil nos Estados Unidos e na França. Estas filosofias divergentes poderiam explicar por que as crianças francesas são geralmente mais bem comportadas do que as americanas. Pamela Druckerman destaca os estilos parentais divergentes em seu recente livro, Bringing up Bébé. Acredito que suas idéias são relevantes para a discussão, por que o número de crianças francesas diagnosticadas com TDAH, em nada parecem com os números que estamos vendo nos Estados Unidos.
A partir do momento que seus filhos nascem, os pais franceses oferecem um firme cadre – que significa “matriz” ou “estrutura”. Não é permitido, por exemplo, que as crianças tomem um lanche quando quiserem. As refeições são em quatro momentos específicos do dia. Crianças francesas aprendem a esperar pacientemente pelas refeições, em vez de comer salgadinhos, sempre que lhes apetecer. Os bebês franceses também se adequam aos limites estabelecidos pelos pais. Pais franceses deixam seus bebês chorando se não dormirem durante a noite, com a idade de quatro meses.
Os pais franceses, destaca Druckerman, amam seus filhos tanto quanto os pais americanos. Eles os levam às aulas de piano, à prática esportiva, e os incentivam a tirar o máximo de seus talentos. Mas os pais franceses têm uma filosofia diferente de disciplina. Limites aplicados de forma coerente, na visão francesa, fazem as crianças se sentirem seguras e protegidas. Limites claros, eles acreditam, fazem a criança se sentir mais feliz e mais segura, algo que é congruente com a minha própria experiência, como terapeuta e como mãe. Finalmente, os pais franceses acreditam que ouvir a palavra “não” resgata as crianças da “tirania de seus próprios desejos”. E a palmada, quando usada criteriosamente, não é considerada abuso na França.
Como terapeuta que trabalha com as crianças, faz todo o sentido para mim que as crianças francesas não precisem de medicamentos para controlar o seu comportamento, porque aprendem o auto-controle no início de suas vidas. As crianças crescem em famílias em que as regras são bem compreendidas, e a hierarquia familiar é clara e firme. Em famílias francesas, como descreve Druckerman, os pais estão firmemente no comando de seus filhos, enquanto que no estilo de família americana, a situação é muitas vezes o inverso.
Marilyn Wedge, em Psichology Today Tradução: Equilibrando

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Gigante farmacêutica Novartis( fabricante da Ritalina) perde batalha por patente de remédio na Índia


Corte negou pedido de patente da Novartis para remédio contra câncer.
Associações do país comemoraram, alegando acesso dos mais pobres.



A Suprema Corte da Índia negou nesta segunda-feira (1) pedido de patente apresentado pela empresa Novartis, gigante suíça dos medicamentos, para uma nova versão de um produto que combate o câncer, uma decisão que, segundo ativistas, protege o acesso dos mais pobres a remédios genéricos com preço mais justo.
Na decisão, considerada histórica, a corte indiana decidiu que a fórmula da nova versão do medicamento Glivec, para o qual a Novartis buscava obter a patente, "não satisfaz os critérios de novidade ou criatividade" requeridos pela legislação local. A Novartis também foi condenada a pagar os custos do processo, que não teve o valor divulgado.
A decisão encerra uma batalha de sete anos, que provocou discussões sobre a legislação indiana de patentes. O caso foi acompanhado de perto pelos principais grupos farmacêuticos do mundo. A multinacional apresentou o pedido de patente em 2006 e, desde então, a moção foi negada em todas as instâncias.
Em uma nota oficial, a Novartis criticou a decisão judicial e alegou que "desestimula a descoberta de novas drogas essenciais ao avanço da ciência médica". "Esta decisão é um retrocesso para pacientes, porque impedirá o progresso médico para doença sem opções efetivas de tratamento", declarou o diretor da Novartis na Índia, Ranjit Shahani.

Fachada da sede da Novartis em Basel, na Suíça. Multinacional perdeu na Índia "guerra" por patente de medicamento que combate o câncer (Foto: Arquivo/Arnd Wiegmann/Reuters)
Fachada da sede da Novartis em Basel, na Suíça. Multinacional perdeu na Índia "guerra" por patente de medicamento que combate o câncer (Foto: Arquivo/Arnd Wiegmann/Reuters)

Acesso expandido

O advogado Anand Grover, representante da Associação de Ajuda a Pacientes com Câncer, afirmou que estava "louco de felicidade" com a decisão da corte. "Isto representa um enorme passo adiante para oferecer medicamentos a preço acessível aos mais pobres", disse Grover.
Pratibha Singh, advogado da empresa de remédios genéricos Cipla, afirmou que a corte "deixou claro que não se pode patentear uma nova droga apenas fazendo algumas modificações. A lei de patentes indiana foi apoiada pela corte".

A empresa alegava que uma forma melhorada do Glivec merecia uma nova patente, ao afirmar que a nova fórmula era absorvida mais rapidamente pelo organismo. Críticos, no entanto, apontaram que as mudanças na fórmula eram "óbvias e de rotina".
A legislação indiana limita a capacidade dos laboratórios farmacêuticos de obter novas patentes introduzindo apenas pequenas modificações nas fórmulas (um processo denominado "evergreening"). A decisão da Suprema Corte permite que os laboratórios de genéricos continuem produzindo a própria versão do Glivec.

Diferença no preço
Leena Menghaney, do conselho jurídico da organização Médicos Sem Fronteiras, lembrou que o tratamento de um paciente durante um mês com Glivec custa US$ 4 mil, enquanto na Índia a versão genérica custa menos de US$ 73. "Esta decisão é um enorme alívio. Ajudará a salvar muitas vidas, não apenas na Índia mas em todos os países em desenvolvimento", disse Menghaney.
Para a especialista, a decisão do tribunal "não significa que novas patentes não serão concedidas na Índia, mas a prática abusiva de buscar muitas patentes diferentes patentes para uma única droga terminará".
Em 2007, a Alta Corte de Madras já havia negado o pedido da Novartis de uma nova patente para o Glivec. Em 2009, o argumento foi derrotado no Painel de Apelação Indiano sobre Propriedade Intelectual. O painel já havia alegado que a nova fórmula do remédio não era muito diferente da versão original.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Medikalisierte Kindheit


25.11.2010: Soziale Prävention statt Medikamente

  
 
Forum Wissenschaft 4/2010
"Kinderkrankheiten"... - in der sprichwörtlichen Bedeutung war das einmal. Das Spektrum kindlicher Erkrankungen hat sich - mit deutlich sozial geprägtem Einschlag - von somatischen hin zu psychischen Störungen geändert. Die dominierende Reaktion hierauf: der Versuch, Menschen an Verhältnisse statt Verhältnisse an Menschen anzupassen. Er gleicht nicht nur dem Weg des geringsten Widerstands, was gesellschaftliche Veränderungsnotwendigkeiten betrifft, kritisiert Nicola Wolf-Kühn. - Und scheinbar nebenbei hebelt sie noch eine schulmedizinische Modellerklärung aus: die zur "ADHS"-Störung (Aufmerksamkeits-Defizit-Hyperaktivität).
Kindergesundheit ist den letzten Jahren stärker in den Fokus von Politik, Wissenschaft und Medien gerückt und der Schutz von Kindern wurde zu einem wichtigen Thema. Das staatliche Robert-Koch-Institut hat einen großen Survey zur Gesundheit von Kindern und Jugendlichen durchgeführt (KIGGS-Studie1), und auch der 13. Kinder- und Jugendbericht2 ist diesem Thema gewidmet. Leider konzentriert sich die Gesundheitsberichterstattung nach wie vor auf die Verteilung und Ursachen von Krankheit und nicht auf die Frage, was denn Kinder- und Jugendliche gesund erhält, ihr Wohlbefinden erhält und fördert.
Die Kindheit ist eine sehr gesunde Lebensphase. Ein Teil der Kinder und Jugendlichen erleidet jedoch gesundheitliche Störungen, die mit dem Begriff "neue Morbidität" beschrieben werden. Damit sind gemeint der Wechsel des Krankheitsspektrums von Infektionskrankheiten zu chronischen Krankheiten und eine Verschiebung von somatischen Krankheiten hin zu psychischen Auffälligkeiten und Entwicklungsstörungen (emotionale Störungen wie Angst- und depressive Störungen, Verhaltensauffälligkeiten wie ADHS, Gewaltbereitschaft, Drogenmissbrauch).

Soziales - Gesundheitliches

Diese gesundheitlichen Beeinträchtigungen kommen bei sozial benachteiligten Kindern und Jugendlichen wesentlich häufiger vor als bei Kindern aus anderen Gesellschaftsgruppen. Das verweist auf die soziale Verursachung dieser Störungen. Sie entwickeln sich in den Lebenswelten der Kinder, in der Familie, in Kindergarten und Schule, unter Peers, in der Wohnumgebung. Die Pathogenität kindlicher Lebenswelten ist schichtspezifisch unterschiedlich. In Familien mit niedrigem sozialem Status häufen sich psychosoziale Belastungen wie materielle Armut, geringe Bildung, Partnerprobleme, frühe und / oder ungewollte Elternschaft, keine oder kaum vorhandene Unterstützung durch soziale Netze, geringe kommunikative Kompetenz und wenig Selbstvertrauen. Diese Charakteristika stellen den großen Entwicklungsstudien zufolge insbesondere in Kombination starke Risikofaktoren für die kindliche Entwicklung und das psychische Wohlbefinden der Kinder dar. Eine große Rolle in der psychosozialen Pathogenese wird frühkindlichen verunsichernden Bindungserfahrungen zugeschrieben, die mit Störungen der Affektregulierung und späterem emotional-sozial auffälligem Verhalten, auch mit ADHS und Depression, in Zusammenhang gebracht werden.
Kinder aus der Mittelschicht leiden - allerdings bei wesentlich besserer Gesundheit - vor allem am Leistungsdruck ihrer Eltern, die im kulturellen Kapital ihrer Kinder die einzige Möglichkeit sehen, Statuspositionen zu halten oder zu erklimmen. Verstärkt wird diese Haltung durch das tendenziell steigende Niveau sozialer Unsicherheit, das auch diese Schichten erreicht hat, und die daraus resultierende "Angst vor dem Absturz".3
Die deutsche Schule ist kein Ort, an dem die Probleme der Kinder aufgefangen werden. Vielmehr verstärkt sie sie und fügt neue hinzu durch ihre konkurrenzförmige Lernkultur und das Prinzip Auslese statt Hilfe. Von ihrer gesamten personellen und sachlichen Ausstattung ist sie gar nicht darauf angelegt, familienbedingte soziale Benachteiligungen zu kompensieren. Das ist auch politisch nicht gewollt. In der Regel bieten die Schulen keine kindergerechten Lebensräume, keine oder unzureichende Plätze für Ruhe und Bewegungsmöglichkeiten, keine Hausaufgabenbetreuung, meist nicht einmal ein anständiges Mittagessen trotz extensiv langer Unterrichtszeiten.
Ein großer Teil der Gesundheitsbeeinträchtigungen von Kindern und Jugendlichen könnte durch soziale Prävention verhindert werden - durch gesundheitsförderliche Gestaltung der Lebenswelten von Kindern und Jugendlichen und ihrer Familien. Die Gesundheitswissenschaften haben genügend Evidenz zusammengetragen, um gesundheitlich effektive Strategien zu identifizieren: Primär ginge es um die Stärkung der Eltern, also um deren materielle Sicherung durch Beschäftigungs- und Einkommenssicherheit, gesellschaftliche Teilhabe, humane Arbeitsbedingungen, Bildung. Es existieren gesicherte wissenschaftliche Konzepte für gesundheitsförderliche Institutionen wie Kindergärten und Schulen, Sport- und Bewegungsmöglichkeiten für Kinder und Jugendliche, kulturelle Angebote, Sicherung der Kinder- und Jugendhilfe. Was die soziale Prävention angeht, gibt es primär kein Erkenntnis-, sondern ein Politikdefizit. Gleiches gilt auch für reaktiv-helfende Maßnahmen und Institutionen.
Im scharfen Kontrast hierzu werden die Debatten um die Kindergesundheit ebenso wie die Praxis von der Medizin dominiert.4 Prozesse, durch die immer mehr Lebensprobleme in die theoretische und praktische Zuständigkeit der Biomedizin geraten, werden als ,Medikalisierung' bezeichnet5. Der gesellschaftliche und politische Umgang mit Kindern und Kindheit wird zunehmend medikalisiert. Dafür einige Beispiele:
  • In den letzten Jahrzehnten ist ein kontinuierlicher Anstieg der Gabe von Psychopharmaka bei Kindern und Jugendlichen festzustellen. Diese Medikamente gehören laut KIGGS-Studie mit 7,9% zu den am häufigsten angewandten Medikamenten bei unter 18-Jährigen. Insbesondere die Verordnung von Psychostimulantien des Wirkstoffs Methylphenidat (Handelsnamen: Ritalin(r), Medikinet(r)) bei ADHS sind in den letzten Jahren drastisch gestiegen - nach Berechnungen des Bundesinstituts für Arzneimittel und Medizinprodukte von 34 Kilogramm im Jahr 1993 auf 1735 Kilogramm im Jahr 2009.
  • Bei Schuleingangsuntersuchungen zeigen insbesondere sozial benachteiligte Kinder sprachliche, motorische und emotional-soziale Entwicklungsstörungen, die ihre Teilhabe am schulischen Lernen bedrohen und vor allem auf psychosozial belastete Lebensbedingungen zurückzuführen sind.6 Dem gegenüber stehen ein hoher Prozentsatz von kinderärztlich verordneten Physio-, Sprach- und Ergotherapien sowie Vorstellungen beim Kinder- und Jugendpsychiater. Durch unterlassene soziale Prävention wird aus dem armen / deprivierten Kind ein "krankes" Kind.
  • Obwohl sowohl Übergewicht und Adipositas als auch die psychischen Auffälligkeiten bei Kindern einen ausgeprägten Sozialgradienten7 aufweisen, also schon aus diesem Grund nicht vorwiegend biologische Ursachen haben können, werden Interventionskonzepte überwiegend aus der individualmedizinischen Perspektive entwickelt und diskutiert.
  • In der Diskussion um Kinderschutz nehmen kinderärztliche Vorsorge-Untersuchungen eine Schlüsselstellung ein, obwohl bei Kindesvernachlässigung und schweren frühen Entwicklungsstörungen psychosoziale Belastungen in der Familie ursächlich sind. Die familiären Lebensverhältnisse liegen gänzlich außerhalb des Rahmens dieser Untersuchungen und können in der Kinderarztpraxis kaum kompetent thematisiert werden.
  • Gründe der Medikalisierung

    Worauf beruht die in allen Industrieländern beobachtbare ideologische und praktische Hegemonie des Medizinsystems in allen Fragen und Problemen, die mit Gesundheit in Verbindung gebracht werden können?
    Meist wird ausschließlich auf die interessenpolitischen Stärke einer der mittlerweile größten Branchen und eines statushohen Berufsstands verwiesen, mitsamt seinen Leistungsanbietern, dem Wissenschaftsbetrieb, Zulieferindustrien, Wellness-Industrie etc. In die "Gesundheitswirtschaft" wird zunehmend Kapital investiert, das Märkte benötigt. Jedoch ist das nicht der gewichtigste Grund der Medikalisierung. Beträchtlich ins Gewicht fällt die Fähigkeit des Medizinsystems, gesellschaftlicheProbleme in individuelle Nachfrage nach Waren und Dienstleistungen zu transformieren, seien es Therapien, Arzneimittel oder Diäten. Das kommt nicht nur den Erfordernissen der Gesundheitsbranche, sondern auch denen des politischen Systems entgegen: Denn durch die Verwandlung eines Bedürfnisses, beispielsweise nach Entlastung von Schuldruck in Nachfrage nach Psychopharmaka oder des Bedürfnisses nach guter Atemluft in Nachfrage nach Wellness-Aufenthalten, werden potenzielle politische Gestaltungsprobleme zu warenwirtschaftlichen Versorgungsproblemen. Das sichert zum einen den Status quo in Politik und Wirtschaft: Mögliche gesellschaftliche Konflikte durch soziale Prävention, sei sie schul-, umwelt-, bildungs- oder auch verkehrspolitischer Natur, die den interessenpolitischen Status quo bedrohen, werden individualisiert und marktwirtschaftlich lösbar. Zum anderen verspricht es aber auch den Individuen einen begehrten Gebrauchswert: Sie können auf Problemlösungen hoffen, ohne sich und ihre soziale Umwelt verändern zu müssen. Geradezu symbolisiert wird das von der technisch-pharmakologischen Medizin. Ihr implizites Nutzenversprechen ist "die Pille", die schnelle, technische Lösung, die Besserung ohne Änderung und Konflikt.8
    Soziale Prävention - Reduzierung der Schadstoffe in der Luft, Bekämpfung der Kinderarmut oder der Abbau von Schulstress durch bessere Bildungseinrichtungen und sinnvolle Lehrpläne, ein gutes Schulessen etc. -, all das besitzt nicht die Faszination der pragmatischen technischen Lösung, des Versprechens, aus einem unveränderten Zusammenhang das pathogene Agens durch Medikamente, Substitute oder Therapien zu entfernen. Und je mehr die politisch gewollte Entsolidarisierung der Gesellschaft, die Verarmung großer Bevölkerungsgruppen, soziale Unsicherheit und Mobilitätsdruck den Stress auf die Familien erhöht, desto bedeutender werden die individuellen Lösungsversprechen und desto mehr verschwinden die Zweifel daran hinter dem Wunsch nach Erleichterung. Die Angst vor der Krankheit vermischt sich mit der Angst vor Veränderung und vor noch mehr Unsicherheit, und sie wird überformt von diesen beiden Ängsten. Wenn in diesem inneren Konflikt die Gesundheitsindustrie eine technische Lösung, eine schnelle Therapie und eine entsprechende Diagnose anbietet, scheinen der Konflikt gelöst, das Krankheitsrisiko gebannt und die gewohnten Sozialbezüge (selbst wenn sie sonst als belastend erfahren werden) ,gerettet'. Das Medizinsystem verheißt also ,Lösungen' sowohl für Oben als auch für Unten.

    Überschätzung der Medizin für die Gesundheit

    Dieser Sachverhalt dürfte auch erklären, warum die seit den 1970er Jahren erfolgten wissenschaftlichen Erschütterungen des Medizin-Nimbus bis heute kaum eine nennenswerte gesellschaftliche Resonanz gefunden haben. So hat der britische Sozialmediziner Thomas McKeown als erster auf die - im Vergleich zum sorgfältig gehüteten Glauben - geringe Bedeutung der Medizin für die Bevölkerungsgesundheit aufmerksam gemacht. In seiner historisch-empirischen Studie "The Role of Medicine. Dream, Mirage or Nemesis" (1976) hat er nachgewiesen, dass nicht die Errungenschaften der modernen Medizin (Antibiotikaentwicklung, Impfung) für den Rückgang der seinerzeit vorherrschenden Infektionskrankheiten verantwortlich waren, sondern soziale Veränderungen - in erster Linie eine verbesserte Ernährung (darüber geringere Anfälligkeit gegenüber den krankmachenden Wirkungen von Infektionserregern) und Hygiene. Die Erkrankungs- und Sterblichkeitsraten waren schon lange stark rückläufig, bevor überhaupt nur die ersten medizinischen Interventionen erfolgen konnten. Für die Gegenwart schätzt sogar der Sachverständigenrat für die Entwicklung im Gesundheitswesen, dass gesundheitliche Verbesserungen nur zu höchstens 30% auf das Konto der Medizin gehen.9
    Bei formal gleichem Zugang zur medizinischen Versorgung nehmen die schichtspezifischen Unterschiede des Gesundheitszustands bei Kindern und Erwachsenen in den reichen Ländern zu. Das verweist auf die sozialen Lebensbedingungen als Determinanten der Gesundheit. In der Ottawa Charta der Weltgesundheitsorganisation (WHO) zur Gesundheitsförderung heißt es daher: "Gesundheit wird von Menschen in ihrer täglichen Umgebung geschaffen und gelebt, dort, wo sie spielen, lernen, arbeiten und leben ...".
    Eine Fülle von Forschungsergebnissen aus der Medizinsoziologie, -psychologie und Sozialepidemiologie zeigt, dass moderate psychosoziale Belastungen bei zugleich guten Bewältigungsressourcen in Gestalt von Bildung, Handlungsspielräumen, Erholungsmöglichkeiten, sozialer Unterstützung und Anerkennung, Ich-Stärke etc. gesund erhalten und auch bei eingeschränkter Gesundheit die Lebensqualität verbessern.
    Die Biologisierung des Sozialen ist notwendiger Bestandteil seiner Medikalisierung. In herrschaftlichen konservativen Zeiten (in denen Sicherung der Macht- und Verteilungsverhältnisse im Vordergrund steht) dominieren auch im einschlägigen Wissenschaftsbetrieb Störungsursachen, die im Individuum verortet werden und deren Beseitigung oder Management die Sache des privaten Einzelnen ist - vorzugsweise Bakterien, Viren und genetische Abweichungen. In Herrschafts- und institutionskritischen Zeitperioden hingegen haben Störungen eine größere Chance, in ihrem sozialen und ökologischen Kontext begriffen zu werden.10 Historisch-empirisch ist dies für den Wandel des Krankheitsverständnisses bei Krebs gezeigt worden.11 Die Entwicklung der Biotechnologie, mit der man seit Ende der 70er Jahre auch das menschliche Erbgut untersuchen kann, sowie die neurowissenschaftliche Grundlagenforschung gaben der Biologisierung einen enormen Schub. Inzwischen gibt es auch ein großes Forschungsprojekt, das die genetischen Ursachen von Krankheiten von Kindern finden will.12

    Medikalisierung - ADHS

    ADHS - Aufmerksamkeits-Defizit-Hyperaktivitäts-Störung - bezeichnet ein auffälliges problematisches Verhalten bei Kindern, das durch die Leitsymptome Unaufmerksamkeit, motorische Unruhe und Impulsivität gekennzeichnet ist. ADHS-Kindern fällt es in der Schule schwer, sich zu konzentrieren, länger dauernde Aufgaben zu planen und zu beenden. Sie stehen oft vom Platz auf, kippeln mit dem Stuhl usw., reden dazwischen und sind oft in aggressive Auseinandersetzungen verwickelt. Im Kindergarten springen sie wild im Zimmer herum, schlagen andere Kinder und sind unkonzentriert. Der KIGGS-Studie zufolge zeigen knapp 18% aller 6-12-jährigen Kinder Hyperaktivitätsprobleme; dies weist einen starken sozialen Gradienten auf. Das dominierende Ursachenmodell der Kinder- und Jugendpsychologie und -psychiatrie ist die "Dopamin-Hypothese". Diese spricht von einer Dysbalance des Hirnbotenstoffes Dopamin, die zur Störung der Selbstregulation führe (mangelnde Hemmung von Impulsen). Sie kam zunächst auf als "Dopaminmangel-Hypothese". Mediziner hatten beobachtet, dass Mittel aus der Substanzgruppe der Psychostimulantien (Methylphenidat, D-Amphetamin und auch Kokain) die Verhaltensauffälligkeiten der Kinder reduzieren konnten. Es war bekannt, dass Psychostimulantien den Dopaminspiegel im Gehirn erhöhen. Daraus folgerten sie: Wenn sich durch eine über die Gabe von Psychostimulantien erhöhte Dopaminfreisetzung eine deutliche Besserung der Symptomatik erreichen lässt, dann muss bei den betroffenen Kindern zu wenig Dopamin im Gehirn vorhanden sein. Die Vorstellung eines "Dopamindefizits" im Hirn der Kinder wurde automatisch mit der Annahme verbunden, diese Veränderung könne nur genetisch bedingt sein - im Sinne einer genetisch bedingten "Stoffwechselstörung".
    Der Ursprung dieser These fällt in die Zeit, als die Verhaltensauffälligkeiten noch als Hauptsymptome eines Krankheitsbildes betrachtet wurden, das man als Minimal Cerebral Dysfunction (MCD) bezeichnet hat. Diese MCD ließ sich als Krankheit nicht aufrecht erhalten, denn bei vielen Kindern mit den beschriebenen Verhaltensauffälligkeiten (MCD) ließ sich keine Hirnschädigung nachweisen. Vielmehr identifizierte man psychosoziale Risikofaktoren. Zugleich hat man aber aufgrund der Wirkung der Psychostimulantien ein neues neurobiologisches Modell abgeleitet, auf dessen Grundlage die American Psychiatric Association schließlich die neue Bezeichnung - ADHS - einführte und in den Katalog psychischer Erkrankungen (ICD 10, DSM IV) aufnahm. Innerhalb weniger Jahre kam es dann zu einem dramatischen Anstieg der mit dieser Störung diagnostizierten und mit Psychostimulantien therapierten Kinder und Jugendlichen, zunächst in den USA und dann auch in Europa.
    Inzwischen weiß man, dass Psychostimulantien bei niedrigerer Dosierung, wie sie bei ADHS angewendet werden, generell eine hemmende Wirkung auf das Dopamin-System haben. Auch "normale" Kinder- und Jugendliche können sich nach der Einnahme besser auf auszuführende Aufgaben konzentrieren und sind weniger ablenkbar, weshalb die Mittel inzwischen auch von Studierenden zur Leistungssteigerung genommen werden. Bei Kindern mit der Diagnose ADHS ist die Verhaltensänderung nur wesentlich deutlicher. Neuere neurobiologische Forschungen haben eine Beziehung zwischen ADHS und einem überstark entwickelten antriebssteigernden dopaminergen System im Gehirn gefunden, die jedoch nicht bei allen Kindern mit ADHS-typischen Verhaltensauffälligkeiten vorkommt.
    Was die angenommene genetische Grundlage betrifft, so hat man trotz stetiger Bemühungen bislang keine reproduzierbaren Assoziationen mit einzelnen Genvarianten auf der Ebene der DNA-Struktur finden können. Dennoch wird weiter nach normativen und biologischen Erklärungen für sozial abweichendes Verhalten gesucht. Da einfache genetische Ursachenmodelle nicht vereinbar waren mit neueren molekularbiologischen Erkenntnissen, tritt der biologische Determinismus derzeit in Gestalt des Vulnerabilitäts-Stress-Modells für psychische Störungen auf. Hier ist die Vulnerabilität gleichsam ein Platzhalter für eine individuell-biologische Anfälligkeit, auch wenn sie empirisch gar nicht belegt ist. Die diesem Störungsmodell folgenden Interventionsstrategien werden unter dem Stichwort "individualisierte Medizin" (engl.: personalized medicine) diskutiert. Interventionen sollen auf die genetische Besonderheit der Kinder zugeschnitten werden, die zuvor getestet werden muss.
    Neben der dominierenden neurobiologischen Dopaminhypothese gibt es im Kern noch zwei weitere Hypothesen zu den Ursachen der als ADHS-Störung bezeichneten Verhaltensauffälligkeiten: die psychodynamische und die Schulschwierigkeiten-Hypothese. Psychoanalytische Ansätze, die sich auf zahlreiche retrospektive Fallrekonstruktionen stützen, sehen in dem unruhigen Verhalten der Kinder und Jugendlichen eine Folge von verunsichernden frühkindlichen Bindungserfahrungen, die mit Problemen der Selbstregulation einhergingen.13 Der Neurobiologe Gerald Hüther hat ein entwicklungsneurobiologisches Modell entwickelt, das biologische und psychosoziale Ansätze zu verbinden sucht: Den neurologischen Befund des überstark entwickelten Dopaminsystems führt er auf psychosozial belastende Erfahrungen (unsichere Bindung, Reizüberflutung, überlastete Eltern) der Kinder zurück. Diese Erfahrungen gingen mit übermäßigen Stressreaktionen einher, die desorganisierend auf die Hirnreifung wirkten.14 Andere sehen die betroffenen Kinder mit einem besonderen Temperament ausgestattet, dem die heutigen Lebens- und Lernbedingungen keinen Raum lassen. Ansätze dieser Art sehen die Lösung in einer psychosozialen Prävention: Ermöglichung sicherer Bindungserfahrung, Gestaltung schulischer Lernbedingungen, Zeit für die Begleitung der Kinder in der Sozialisation usw.

    Falscher Ansatz

    Die gesellschaftliche Praxis der Medikalisierung ist auch hier der Weg des geringsten Widerstands. Es liegt auf der Hand, dass psychosoziale Prävention, also Interventionen in die Lebensbedingungen der Kinder und ihrer Familien, in die Kinderbetreuung und Schulen nicht nur keine neuen Perspektiven für den "Zukunftsmarkt Gesundheitswirtschaft" eröffnen, sondern zusätzliche öffentliche Mittel für sozial benachteiligte Familien, Schulen (u.a. kleine Klassen, mehr Lehrer, neue pädagogische Konzepte), Kindergärten etc. erfordern würde. Das müsste zu erheblichen Verteilungskonflikten führen in einer Zeit, in der der Staat allein aufgrund der Steuersenkungen seit 199815 auf jährliche Einnahmen von 51 Mrd. Euro zugunsten der Wohlhabenden verzichtet, von den enormen Belastungen durch die "Bankenrettung" nicht zu reden.16
    Da soziale Prävention nicht vorangebracht wird, zugleich aber der schulische Leistungsdruck zunimmt, was Eltern und Erzieher bereits im Vorschulalter antizipieren, wird die Hemmschwelle, Psychomedikamente bei Kindern einzusetzen, immer niedriger. Die Folgen für die spätere Entwicklung der Kinder sind ungewiss, denn die langfristigen Auswirkungen der Einnahme von Psychostimulantien sind bislang kaum erforscht. Medizin und Pharmaindustrie sind einmal mehr Vermittler von Prozessen, in denen Menschen - in diesem Fall Kinder mit abweichendem, unangepasstem Verhalten - an Verhältnisse und nicht Verhältnisse an Menschen angepasst werden sollen. Gegenüber psychopharmakologischer Gewalt zum Zweck der Verhaltensbeeinflussung sind Kinder nicht geschützt, insbesondere wenn diese mit der Legitimation einer medizinischen Diagnose erfolgt.17

    Anmerkungen

    1) RKI (Robert-Koch-Institut) (2008) Lebensphasenspezifische Gesundheit von Kindern und Jugendlichen in Deutschland. Beiträge zur Gesundheitsberichterstattung des Bundes. Berlin
    2) BMJFSJ (2008) Deutscher Bundestag Drucksache 16/12860 
    3) S. Ehrenreich B (1992) Angst vor dem Absturz. Das Dilemma der Mittelklasse. Kunstmann-Verlag
    4) Medizin ist hier einschließlich verhaltensmedizinischer und verhaltenspsychologischer Ansätze gemeint.
    5) Zola I (1972) Medicine as an institution of social control. Sociological Reviews 4: 487-504
    6) Ellsäßer G, Böhm A, Kuhn J, Lüdecke K, Rojas G (2002) Soziale Ungleichheit und Gesundheit bei Kindern und Jugendlichen. Ergebnisse und Konsequenzen aus den Brandenburger Einschulungsuntersuchungen. Kinderärztliche Praxis: 4: 248-257
    7) D.h., sie sind über das gesamte soziale Spektrum gesehen in der untersten Schicht am häufigsten und in der obersten Schicht am geringsten, aber auch zwischen den Extremen, also in den mittleren Bereichen, nimmt die Häufigkeit mit dem sozio-ökonomischen Status der Familien graduell von oben nach unten zu.
    8) Kühn H, Rosenbrock R. (2009) (1994), Präventionspolitik und Gesundheitswissenschaften, in: Bittlingmayer, U, Sahrai, D, Schnabel, P-E, Normativität und Public Health: Vergessene Dimensionen sozialer Ungleichheit, Wiesbaden (VS Verlag für Sozialwissenschaften): 47-71
    9) Rosenbrock R, Holst J (2008) Worauf wir nicht verzichten sollten: Gesundheitssystem und Solidarität. In: Gerhardt M, Kolb S u.a. (Hg) Medizin und Gewissen. Im Streit zwischen Markt und Solidarität. Mabuse-Verlag FfM
    10) Kühn, H (2002): Normative Ätiologie. Zur Herrschaftlichkeit des gesellschaftlichen Krankheitsverständnisses. In: Jahrbuch für Kritische Medizin 34. Argument-Verlag
    11) S. die beiden Publikationen Proctor RN (1995) Cancer Wars. How politics shapes what we know and don´t know about cancer. New York. Basic Books, und Wolf N (2002) Genetische Hoffnungen. Zum Wandel des Krankheitsverständnisses bei Krebs. In: Jahrbuch für Kritische Medizin 34. Argument-Verlag
    12) Hampton T (2006) Hunt is on for genes linked to childhood diseases. JAMA 296: 381-382
    13) Leuzinger-Bohleber M (2006) Einführung. In: Leuzinger-Bohleber M, Brandl Y, Hüther G (Hg) ADHS - Frühprävention statt Medikalisierung. Theorie Forschung, Kontroversen. Vandenhoeck & Ruprecht
    14) Hüther G (2006) Die nutzungsabhängige Herausbildung hirnorganischer Veränderungen bei Hyperaktivität und Aufmerksamkeitsstörungen. Einfluss präventiver Maßnahmen und therapeutischer Interventionen. In: Leuzinger-Bohleber M, Brandl Y, Hüther G (Hg) ADHS - Frühprävention statt Medikalisierung. Theorie Forschung, Kontroversen. Vandenhoeck & Ruprecht
    15) Vor allem der rotgrünen Einkommenssteuerreform mit der Senkung der Spitzensteuersätze. Hinzu kommt, dass nach Schätzung von Experten deutsches Privatvermögen in Höhe von etwa 485 Milliarden Euro dem Zugriff des Steuerstaats durch Verschiebung ins Ausland entzogen wird (www.weltderarbeit.de ; 14.3.2010)
    16) Truger A, Teichmann D 2010, IMK-Steuerschätzung 2010 - 2014, IMK-Report (Institut für Makroökonomie und Konjunkturforschung) Nr. 49
    17) Arnft H (2004) Die ADS-Problematik aus der Perspektive einer kritischen Medizin. In: Arnft H, Gerspach M, Mattner D: Kinder mit gestörter Aufmerksamkeit. ADS als Herausforderung für Pädagogik und Therapie.

    Dr. Nicola Wolf-Kühn ist Ärztin und Gesundheitswissenschaftlerin (M.P.H.). Sie arbeitet als Professorin für Sozialmedizin im Studiengang Rehabilitationspsychologie der Hochschule Magdeburg-Stendal.